Lidando com os "Formatos" do Som

Neste ponto, a forma e o arranjo já devem estar delineados. É preciso começar a "coletar os sons" e, a depender da disponibilidade de músico e, ou de instrumento teremos que optar pelos seus diversos tipos de "formatos" e suas possíveis origens.

Os instrumentos acústicos, aqueles desprovidos de captação elétrica própria, devem ser gravados através de microfones em formato de áudio onde o conteúdo gravado representa o próprio som, de forma analógica ou digital.

Os instrumentos com captação elétrica, como guitarras e baixos eletricos, são conectados diretamente nos sistemas de gravação também em formato de áudio.

Os teclados ou instrumentos com interface apropriada podem também "gerar" uma codificação denominada MID (GM - General MID padrão, XG - Yamaha e GS - Roland) a ser convertida em audio por placas de som presentes em todos os computadores pessoais ou por módulos de sons externos. Neste formato são gravados digitalmente os códigos das notas, durações e efeitos e não propriamente os sons.

 

Gravação de Audio por Captação Elétrica

A gravação de áudio por captação elétrica consiste em ligar ou "plugar" o instrumento diretamente no sistema de gravação. O Instrumento por sua vez pode ter dois tipos de captação:

Captação para cordas de aço - Instrumentos com ou sem caixa acústica onde a captação é feita através da indução magnética pela vibração das cordas nos captadores disponíveis em guitarras e baixos elétricos. A vibração das cordas é convertida em sinais elétricos e recebem uma pré-amplificação no próprio instrumento como também reforços seletivos (equalização) nos graves, médios e agudos, em alguns casos.

Captação para cordas de nylon ou aço- Instrumentos com caixa acústica onde a captação é feita por vibração mecânica induzida nos captadores disponíveis em violões (aço ou nylon) ou baixos acústicos. A vibração mecânica do corpo do instrumento ou da corda sobre o suporte é também convertida em sinais elétricos e, dai para frente receber o mesmo tratamento explicado anteriormente. Neste caso o timbre aparece mais rico devido as interações sonoras com a caixa ressonante dos instrumentos conferindo a ele um som mais "profundo" e natural.

Captação através de microfones - Em instrumentos que possuam ou não captadores embutidos podemos usar microfones onde o som é induzido através da vibração mecânica do ar. Podemos usar esta forma de captação para qualquer tipo de instrumento audível o que confere um som ainda mais natural (unpluged).

Captação mista - Poderemos também embaralhar um pouco as coisas como:

Ou seja faça suas experiências, os segredos ninguém quer ensinar.

 

Gravação de MID

Outra maneira de se representar o som é através do padrão MID. Em vez de transmitir a representação elétrica do sinal de aúdio, como é feito nos casos anteriores, pode-se transmitir, de forma digital, apenas um código que representa o início da nota e um outro que representa o fim da nota, o que confere uma economia de armazenamento impressionante. A geração do som fica a cargo de um módulo que converterá estes códigos no instrumento adequado e na nota específica logo, a qualidade sonora dependerá diretamente da qualidade do módulo usado.

Para efeito de comparação, armazenar 20 segundos do som de um bom piano no formato de audio com qualidade de CD precisaríamos de:

44.000 amostras x 20 segundos x 16 bits = 14.080.000 bits ou 1.760.000 bytes (1,8 Mb do seu HD)

Em MID teríamos um byte para dizer que o instrumento é o piano, outro para ligar a nota e outro para desligar a nota, 20 segundos depois, ou seja 3 bytes de informação, mas considerando o preenchimento, chegaríamos a talvez 5.000 bytes, ou seja 350 vezes menos e, a depender da qualidade do módulo de som usado ninguém perceberá que tudo é uma farsa. A desvantagem é quando nossa incrível música em formato MID usando apenas 10Kb que soou como uma orquestra em nosso estudio com nosso módulo de som de U$5.000,00 ou mais, soa como musica de sutiã japonês ou daqueles cartões de natal sonoros no computador do seu cliente que usa aquela plaquinha de som "on board". Outra desvantagem é que você só poderá gravar instrumentos que possuam sáida MID, para voz ou violões - esqueça.

Existem no mercado alguns conversores audio-MID para instrumentos de solo mas só servem para captar o estilo usado no instrumento original possibilitando aos guitarristas e bateristas não terem que virar tecladistas para executar suas gravações.

Enfim existem os que amam e os que odeiam, mas acredito que exista espaço para ambos e, tenho frequentemente, apesar da minha preferência pelo áudio, considerando também a péssima qualidade do meu módulo de som, optado pelos dois formatos principalmente quando usamos aquela "orquestra de fundo" ou os chamados PAD´s. E, para evitar o sonzinho de sutiã armazene em MID mas grave o audio já convertido pela sua própria placa de U$5.000,00.

 

Usando fontes "Sampleadas" ou "loops"

Outra forma que está ganhando muito terreno, que apresenta excelentes resultados em computadores pessoais de baixo custo é o uso de pedaços de sons já gravados disponiveis em formatos WAV, MP3, AFI, etc vendidos em CD´s que contém de centenas a milhares de sons. A má notícia é que você terá que montar tudo, a boa é que você poderá ter com integrantes da sua equipe de gravação os melhores músicos do mundo, sem que eles saibam disto.

Por exemplo encontrei em uma destas revistinhas de R$9,90 mais de 3.000 sons de baterias e os usei em muitos trabalhos. Como resultado vemos que é extremamente difícil, caso você não seja muito repetitivo, saber que não foi mesmo um baterista que fez a trilha.

Os sons podem vir apenas em uma batida (one shot ou kick) para que você monte um compasso (loop). Ou já estar gravado o compasso completo deixando para você a difícil tarefa de repetí-lo pela música inteira.

Você deve estar agora se perguntando como fazer no caso da sua música estar em um andamento diferente do loop gravado. Seria impossível se já não existissem dezenas de programas que ajustam o loop gravado, sem que apresentem distorções consideráveis na afinação à velocidade da sua gravação. Sem dúvida o melhor deles é o ACID e lida com estes loop como se fossem de elástico, mas não vá exagerar pois poderemos distorcer os sons originais. O que acontece é que no CD vem o mesmo loop ("a levada" ou groove) em diversos andamentos, escolha o mais próximo e faça apenas pequenos ajustes. Como já vimos estes andamentos são medidos em BPM e no encarte sempre vem em quantos BPM o loop foi gravado.

Assim como podemos trocar o andamento (Time), podemos trocar também o volume e a afinação (pitch) e, utilizando de uma funcionalidade (humanizer)comum nos programas disponíveis, podemos conferir aleatoriedade ao volume e um pouco ao andamento "humanizando" a composição.

Nas lojas especializadas vendem CD´s gravados por grandes músicos contendo tudo que se pode imaginar. Desde sons de instrumentos percussivos, nota por nota de um bom piano, harmonias de guitarras, andamentos de baixo a vozes (tipo "Oh! baby" , " I fell so good" e outras coisas) ou complexos loops formados por vários instrumentos, cabendo aos chamados "programadores" montá-los segundo o arranjo definido. Estes CD´s são considerados hoje um baú de tesouros, uma verdadeira biblioteca sonora, podendo custar U$300,00 ou até mais cada (fiquemos com as revistinhas).