O arranjo

Arranjar uma música é arrumar as partes que a compoem. A mesma música pode, e deve, soar completamente diferente e muitas vezes se torna irreconhecível a depender do arranjo executado.

Pela teoria da matemática estatística, arranjar é arrumar de forma diferente o mesmo número de elementos, ou seja - trocar de lugar.

A composição fornece os elementos e deve fornecer material flexível para o trabalho podendo propiciar arranjos mais ricos, dando abertura suficiente para a criação dos arranjadores. O efeito contrário, onde se força um arranjo mais elaborado sobre uma canção pobre, é surgir uma música diferente da produzida afogando a original.

O curioso é que a complexidade da composição não é fato determinante desta abertura e, muitas vezes, músicas simples permitem, com leveza e naturalidade, arranjos inspirados e belíssimos.

Basicamente tendo forma, que é a estrutura sobre a qual assentaremos o arranjo, poderíamos, por exemplo, começar a...

Escolha dos Instrumentos

A depender do que sua canção diz, qual o clima desejado para ela, e preciso definir, caso você possa escolher ou dispor, que instrumentos serão executados. Obviamente, este poderá não ser o momento mais indicado e até mesmo quando a canção se encontra quase finalizada nos dá idéia de acrescentar aquele "blim".

A escolha de intrumentos implicará na escolha de músico e da captação ideal para gravação.

Escolher instrumento é saber lidar com timbres, a composição harmônica que se quer dar ao trabalho. Por exemplo : o dó que soa de uma flauta é completamente diferente do mesmo dó executado em um piano ou violão. Esta diferença é dada pelo timbre do instrumento. Estas notas são formadas, apesar de terem a mesma frequência fundamental (dó), de diferentes componentes harmônicas e figuram com desenho diferente quando "vistas" em seu formato "WAV" na tela de um computador.

Ou seja o timbre é quem permite saber que instrumento é que está sendo executado e até como está sendo executado.

Saber lidar com esta diferença de timbres e usá-los em seu favor lhe permitirá tecer uma "segunda música" sobre a primeira propiciando textura ao trabalho. É como se pintássemos um quadro sobre uma escultura.

Complexo ? Sim, mas tenha certeza que as pessoas não sabem exatamente porque uma música soa bem ou mal, mas sabem sem que seja necessário estudos mais profundos.

 

Desenvolvimento das Frases

Talvez tenha chegado o ponto de criar fases mélódicas com o instrumento adequado ao seu trabalho, ou melhor os chamados "solos". Na maioria das vezes elas repetem a linha melódica, a música propriamente dita, outras traçam um bordado completamente diferente e até trocam de tom, ou "modulam". Estas frases permitem que seu trabalho fique menos monótono e mais imprevisível lhe conferindo certa surpresa e mais dinâmica e, claro, exageros, por outro lado, cansam e desinteressam o ouvinte.

 

Estabelecimento da dinâmica

Conferir dinâmica a um trabalho é atuar sobre a densidade musical tanto em volume de som quanto na quantidade de instrumentos presentes em um dado momento. Um bom exemplo de dinâmica é o rock progressivo, onde a música começa com um piano "pianinho" - um "Debussy geral" e lentamente se torna pano de fundo da invasão da Normandia acabando em som repetitivo que desaparece no nada.

A dinâmica "leva" o ouvinte e é a responsável pela manutenção do interesse contínuo pelo trabalho, mantê-lo atendo e prover descanço no momento oportuno.

Por isto, dê uma boa vestimenta a sua canção...

Procure um bom arranjador !

...e, se quiser aprender mais, ou não tiver dinheiro para pagar o cachê (antes de se assustar procure saber o preço - quase sempre vale a pena), escute muito aquilo que você produz, e tente perceber como a forma e uso dos instrumentos agem sobre seu interesse de ouvir mais vezes o trabalho e principalmente escute o trabalho dos outros.

Lembre-se não há boa música que um aranjo ruim não estrague, logo existe muito espaço para compositores e para arranjadores.